A análise de 90 mil buscas por presentes mostra que Gemini, AI Mode e AI Overviews entregam resultados e citações de fontes muito diferentes. Essa fragmentação afeta diretamente a visibilidade de marcas no e-commerce, exigindo novas estratégias para a temporada de compras de fim de ano.
- Somente 11,9% dos domínios citados aparecem nas três plataformas do Google.
- AI Overviews destaca conteúdo de usuários, enquanto Gemini prioriza publishers de lifestyle.
- Amazon perde espaço em IA, mesmo liderando em SEO tradicional e backlinks.
- Tráfego de IA já impulsiona conversão em e-commerce, com taxa de até 9,3%.
- Estratégias precisam combinar análise de afinidade do público e monitoramento de citações em IA.
O cenário de busca está passando por uma fragmentação inédita com a ascensão de Gemini, AI Mode e AI Overviews no Google. Cada uma dessas plataformas utiliza critérios próprios para selecionar e citar fontes, o que impacta diretamente a descoberta de produtos e a visibilidade de marcas no e-commerce. A análise de 90 mil prompts relacionados a presentes revelou que apenas 11,9% dos domínios citados aparecem em todas as três experiências, mostrando que não existe mais uma estratégia única de SEO para garantir presença nas buscas.
O Gemini cita mais domínios únicos (26.005) e favorece publishers de lifestyle, enquanto praticamente ignora grandes varejistas como Amazon, que ficou em 8.869º lugar em citações. O AI Mode, por sua vez, mantém o usuário no ecossistema Google, citando Google Shopping em 8% dos resultados, bem acima dos menos de 0,25% de Gemini e AI Overviews. Já AI Overviews prioriza conteúdo gerado por usuários, com Reddit, Quora e YouTube entre os cinco sites mais citados, e surpreende ao dar mais visibilidade ao marketplace chinês DHgate do que à própria Amazon.
Essas diferenças afetam diretamente a estratégia de SEO e conteúdo para e-commerce. Marcas líderes em SEO tradicional não garantem destaque nas respostas das IAs, mesmo com forte presença orgânica, estrutura técnica robusta e grande volume de backlinks. Isso abre espaço para marcas menores e nichadas conquistarem visibilidade por mérito, especialmente se entenderem como cada IA seleciona fontes e formatos de conteúdo.
O impacto prático já é sentido e o tráfego vindo de plataformas de IA apresenta crescimento acima da média para e-commerces, com taxa de conversão de 9,3% segundo estudos recentes. Para aproveitar esse movimento, é fundamental monitorar o tráfego de referência de IA, identificar quais páginas e tipos de conteúdo atraem mais visitas e analisar a afinidade do público com cada plataforma.
No médio prazo, a recomendação é adotar uma estratégia dupla: investir tanto em canais tradicionais de descoberta (SEO, social, afiliados) quanto em conquistar citações nos domínios priorizados pelas IAs. O risco é a volatilidade, já que as plataformas de IA podem mudar rapidamente os critérios de citação, exigindo monitoramento contínuo e flexibilidade nas ações. Além disso, a falta de dados claros sobre tráfego de AI Overviews e AI Mode limita a mensuração precisa do impacto dessas fontes.
Para profissionais de SEO e conteúdo, o desafio é diversificar canais, acompanhar de perto o desempenho em cada plataforma e ajustar rapidamente as estratégias conforme mudam os padrões de citação das IAs. Oportunidades surgem para marcas menores, mas a competição se torna mais dinâmica e menos previsível, exigindo análise constante e adaptação rápida.
O artigo “What’s the Impact of Google’s AI Changes on Holiday Shopping?“, da Seer Interactive, trz mais detalhes sobre o estudo.
