As páginas da web estão quase três vezes maiores do que há uma década, e essa inflação de tamanho cria uma tensão estrutural no ecossistema de busca. Em um novo episódio do podcast “Search Off the Record”, a equipe do Google debateu o paradoxo: enquanto a empresa exige cada vez mais dados estruturados para alimentar seus sistemas de IA, o peso crescente das páginas se aproxima dos limites técnicos de rastreamento e impacta a experiência do usuário em conexões mais lentas.
- O peso da web triplicou: Dados do Web Almanac mostram que o tamanho mediano de uma página mobile saltou de 845 KB em 2015 para 2.362 KB em 2025. Um crescimento esperado, mas ainda assim surpreendente para a equipe do Google.
- O limite de 15MB: Gary Illyes, do Google, mencionou um limite padrão de 15MB na infraestrutura de rastreamento do Google, um número que, embora flexível, serve como um lembrete de que a capacidade de processamento não é infinita.
- O paradoxo dos dados estruturados: O próprio Illyes levantou uma questão crítica: os dados estruturados, criados para máquinas e não para usuários, estão contribuindo para o “inchaço” das páginas? Há uma tensão entre a necessidade da IA por dados e o impacto disso no peso da página.
- A velocidade ainda importa: Apesar das conexões mais rápidas, o peso das páginas ainda afeta a performance e a conversão, especialmente em mercados com internet mais lenta ou medida. A experiência do usuário continua sendo um fator crucial.
A discussão no podcast do Google expõe uma contradição fundamental na web moderna. De um lado, a complexidade das aplicações e a demanda dos sistemas de IA por dados estruturados inflacionam o tamanho das páginas. Do outro, a realidade física dos limites de rastreamento (crawl budget) e a experiência de usuários em conexões não ideais exigem leveza e eficiência.
Martin Splitt, do Google, argumentou que o foco deve ser no tamanho da página individual, não do site como um todo. Ele e Illyes reconheceram que, embora as conexões de internet tenham melhorado, o crescimento das páginas pode ter superado essa evolução, prejudicando usuários em redes móveis ou via satélite.
O ponto mais estratégico da conversa foi a reflexão de Illyes sobre o papel dos dados estruturados. Ao lembrar a visão original de Sergey Brin de que as máquinas deveriam ser capazes de entender tudo a partir do texto, ele questiona se a proliferação de marcações de schema — invisíveis para o usuário — não seria uma forma de “inchaço” técnico que vai contra a eficiência.
Para os negócios, a lição é sobre arbitragem técnica e estratégica. Adicionar cada pedaço de dado estruturado recomendado pode melhorar a legibilidade para a IA, mas a que custo de performance? A maioria das páginas ainda está longe dos limites técnicos, mas a tendência de crescimento é um sinal de que as decisões sobre o que incluir em uma página precisam ser cada vez mais intencionais, equilibrando as necessidades das máquinas com a experiência dos humanos.
Para se aprofundar mais no assunto, ouça o episódio completo do podcast “Search Off the Record”.
Search Off the Record podcast
