Cortar profundidade parece economia. A conta chega de outro jeito: em mídia paga mais cara, em cliente que não volta, em time que produz mais e entrega menos. Três palestras do Content Experience 2026 mostraram versões diferentes da mesma fatura.
O dado que abre esta edição
O preço médio de um anúncio no Meta subiu 14% no último trimestre de 2024 — enquanto o número de impressões cresceu só 6% (Meta Reports Fourth Quarter and Full Year 2024 Results).
- O CPC médio do Google Ads chegou a US$ 5,26 em 2025, alta de quase 13% em um ano (WordStream, Google Ads Benchmarks 2025).
- Cliente que já comprou de você está 50% mais propenso a testar um produto novo e gasta 31% a mais do que um cliente novo (Forbes Business Council).
- E o que sempre foi caro — pesquisa, dado próprio, tempo de especialista — já tem nome recorrente nas três palestras: profundidade.
Mídia sobe de preço, cliente novo custa mais que o antigo, e o conteúdo raso perde a corrida primeiro.
O que vimos no evento
André Siqueira (RD Station) — a matemática do cliente no centro
Um aumento de 5% na retenção pode elevar o lucro entre 25% e 95% (Forbes Business Council). André usou a venda da RD Station para a TOTVS (R$ 2 bilhões, a maior venda de uma empresa privada de software no Brasil) para mostrar um princípio pouco glamouroso: reter cliente não é “ser bonzinho”, é matemática de LTV sobre CAC. Maximizar o valor do cliente ao longo do tempo é o que dá liberdade para investir mais em aquisição sem perder margem.
Gabriel Costa “Mineiro” (GLA) — o custo de mídia paga sempre sobe
Mídia paga só fica mais cara — e é por isso que conteúdo virou o pilar da receita. Para Gabriel, conteúdo é o único ativo que educa, melhora o desempenho dos anúncios, abre conversas de venda e alimenta as respostas de IA ao mesmo tempo. A IA baratou a execução — escrever, adaptar, formatar —, mas não a profundidade: pesquisa, dado próprio e tempo de especialista continuam caros, e é isso que diferencia.
Bruno Peccerini e Lucca Costa (Nomad) — SEO, conteúdo e PR na mesma mesa
SEO (Bruno) e PR (Lucca) apresentaram a estratégia de conteúdo da Nomad como um sistema único, não três áreas isoladas: decisão editorial nasce de dado de comportamento do viajante, vira produto em ferramentas como o Nomad Guide, e o PR funciona como camada de credibilidade num momento em que conteúdo gerado por IA está em toda parte. Números de resultado desse tripé não puderam ser confirmados — ver Pendências.
Ação da semana
Antes de cortar orçamento de retenção, faça a conta de LTV sobre CAC (André Siqueira).
- Meça o CPC do seu funil neste trimestre e compare com o anterior — se subiu, pode ser o leilão, não você.
- Pare de tratar SEO, conteúdo e PR como times isolados. Decidam juntos o que fica interno.
- Invista tempo de especialista em profundidade, não em volume. É o que diferencia e alimenta o GEO.
- Audite o que faz um cliente antigo comprar de novo — ele já confia em você.
- Repita a conta todo trimestre. CAC, CPC e retenção mudam mais rápido do que o orçamento anual prevê.
Frase para guardar
“Informação é de graça. O que a gente busca quando consome o conteúdo de alguém é ponto de vista, personalidade, história — isso educa e vende.”
— Gabriel Costa (Mineiro), GLA
Na próxima edição
Juliana Ewers (Itaú), Camila Renaux e Camilo Leles (Saint-Gobain) — sobre como marcas grandes decidem o que vale a pena escalar em conteúdo.
Se o seu conteúdo está gerando volume mas não profundidade, fale com a Web Estratégica.


