Você provavelmente já sentiu isso no relatório do mês: as impressões sobem, mas o tráfego não acompanha. Não é impressão sua, e não é falha de conteúdo. É a busca mudando de forma debaixo do seu pé, e foi exatamente esse o fio condutor da manhã de abertura do Content Experience 2026.
Nesta primeira edição, reunimos o que quatro palestras mostraram sobre esse mesmo fenômeno, cada uma com um ângulo e um conjunto de dados diferente. Junto, um checklist prático para rodar ainda essa semana.
O dado que abre esta edição
69% das buscas no Google terminaram sem clique em 2025. — Similarweb, citado por Edney Souza (InterNey)
E não é um caso isolado. Repare como o mesmo padrão aparece em três fontes independentes, cada uma com sua régua:
- No mercado geral: tráfego referenciado por IA cresceu 527% no 1º semestre de 2025 (Previsible), enquanto o CTR da posição 1 caiu 34,5% em termos que disparam AI Overviews (Define Media Group).
- Na Serasa: nos últimos 12 meses, impressões subiram +23% e cliques caíram -22% — em 7 de 8 frentes analisadas, a queda de clique foi maior que a de impressão.
- Na Incognia: o estudo Pew (mar/2025) mostra clique em resultado tradicional caindo para 8% quando aparece AI Overview, e para 1% quando o clique é na fonte citada dentro do resumo. Na própria operação da Incognia, isso se traduziu em -15% de cliques.
O mesmo movimento, medido por quatro empresas diferentes. Isso não é ruído — é tendência consolidada.
O que vimos no evento
Edney Souza (InterNey) — GEO: como aparecer na nova busca movida por IA GEO não é AEO com nome novo. AEO nasceu em 2017 para assistentes de voz e caixas de resposta; GEO nasceu em 2023, dentro do paradigma dos modelos generativos, e é o termo que o próprio Google reconhece lado a lado com SEO. A virada real: no SEO a página inteira mira uma palavra-chave, no GEO cada seção precisa fazer sentido sozinha, fora de contexto — porque é a seção, não a página, que pode ser citada.
Gabriel Ramos (Semrush) — GEO: dados e tendências de mercado A busca não morreu, se redistribuiu. A pesquisa média no ChatGPT usa 23 palavras contra 3,4 no Google — contexto e intenção pesam mais que a keyword isolada. E o dado mais importante para quem trabalha com conteúdo: 85% dos tópicos analisados ainda não têm um líder claro no ChatGPT. A disputa por autoridade temática está aberta agora, não daqui a um ano.
Aline Vieira & Rafaela Alves (Serasa) — Da busca à resposta “Aparecer na resposta virou o novo ranquear.” A Serasa viu queda de clique, mas também viu as citações da marca em AI Overviews crescerem +25% — consolidando a liderança da marca nesse quesito. A régua de sucesso mudou: de cliques e posição, para presença nas respostas, frequência de citação e participação de voz no tema.
Monalisa Scalco (Incognia) — Demanda orgânica via LLMs em B2B Em B2B, ~95% do mercado não está pronto para comprar agora (regra de Ehrenberg-Bass). O erro comum é tratar esse público como leads frios a empurrar; a oportunidade é construir memória de marca para quando a necessidade surgir. Na prática, isso já é mensurável: hoje 27% da demanda orgânica da Incognia é atribuída a LLMs.
Ação da semana
O checklist que Gabriel Ramos resumiu como “o que fazer na segunda-feira” — dá para rodar em uma tarde, sem esperar o próximo trimestre:
- Escolher — dois ou três tópicos que realmente impactam o negócio (não o volume de busca, o impacto).
- Medir — sua visibilidade e a dos concorrentes nesses tópicos, dentro do ChatGPT e do Google AI Overviews.
- Analisar — quais fontes estão sendo citadas nas respostas sobre esses tópicos. Você está entre elas?
- Ajustar — os gaps encontrados: onde falta conteúdo citável, autoria clara ou dado proprietário.
- Repetir — em 30 dias. A resposta da IA muda; a medição precisa acompanhar.
Frase para guardar
“Sem conteúdo original, não há o que ser citado.” — Monalisa Scalco, Incognia
Isso foi só a abertura. Nas próximas edições, entramos em como construir contexto de marca para a IA (Priscila Milk), o framework que conecta dado, autoridade e estratégia (Cristian, VSG) e por que confiança virou o ativo mais escasso do mercado (Camila Marques, Folha de S.Paulo).
P.S. — Se você chegou até aqui e ainda não sabe se sua marca aparece nas respostas de IA sobre o seu tema, essa é literalmente a pergunta que a gente respondeu essa semana. Responda este e-mail — a gente te conta como medir.


