Há duas semanas, trouxemos aqui três estudos independentes mostrando que o volume de tráfego vindo de buscadores de IA ainda é pequeno perto do Google orgânico (Guia 72, News 121) — e usamos esses dados para reforçar que GEO deve ser tratado como camada complementar ao SEO, não substituto. Um contraponto publicado esta semana, de Dan Taylor, questiona diretamente um desses estudos (o de Marie Haynes) — e vale conhecer o argumento, porque ele não contradiz os números, contradiz a conclusão que se tira deles.
O argumento: medir só sessão subestima a influência da IA
Taylor não questiona os números de volume — ele mesmo cita um estudo próprio, com 108 milhões de sessões em 57 sites, chegando a uma proporção parecida (tráfego de IA rastreável equivale a 0,66% do total, variando bastante entre sites, de quase zero a 20-25 usuários de IA por 1.000). O argumento é outro: medir o valor de uma ferramenta conversacional contando visitas diretas ao site aplica um critério de medição antigo a um ambiente de informação novo. Quando uma IA responde a pergunta inteira dentro da própria conversa — por exemplo, um comprador que passa meia hora comparando fornecedores de software dentro do ChatGPT — a decisão pode estar tomada antes de qualquer clique. Dias depois, essa mesma pessoa pesquisa o nome da marca direto no Google e fecha a compra; a analytics credita 100% da jornada à busca orgânica, quando a decisão real aconteceu na conversa.
A conversão, não o volume, é o dado que chama atenção
O próprio estudo de Marie Haynes, que Taylor usa como base para o contraponto, mostra que visitantes vindos do ChatGPT convertem a quase 14% contra 3% da busca tradicional — uma diferença de quase 5 vezes. Para negócios B2B, consultorias de alto valor ou varejo especializado, Taylor argumenta que volume agregado de visitantes é uma métrica de vaidade: poucos clientes qualificados vindos de uma IA podem gerar mais receita do que milhares de visitantes aleatórios que não convertem nada.
Uma leitura, não a palavra final
Vale registrar: os números de volume (abaixo de 1% do tráfego do Google orgânico) continuam corretos e não são contestados por ninguém nessa discussão. O que está em disputa é a conclusão estratégica — se um volume pequeno com conversão muito mais alta justifica investimento prioritário em GEO ou não. Essa é uma leitura, vinda de alguém com interesse direto no tema (Taylor atua com GEO), assim como o estudo original parte de alguém com uma tese prévia. A honestidade aqui é reconhecer que ambos os lados têm razão em parte: o volume realmente é pequeno hoje, e a conversão realmente é mais alta — a decisão de quanto investir em GEO depende do tipo de negócio do cliente, não de uma resposta universal.
Visão Estratégica da Web Estratégica
- Ajustar o discurso com clientes de ticket alto, B2B ou venda consultiva: para esse perfil, o argumento de conversão de Taylor pesa mais do que o argumento de volume de Haynes — vale priorizar GEO mesmo com volume de referral baixo.
- Para clientes de alto volume e ticket baixo (e-commerce de massa, por exemplo), manter a leitura anterior: SEO como motor principal, GEO como camada complementar, dado o volume ainda pequeno em termos absolutos.
- Incluir, nos relatórios mensais, a taxa de conversão do canal de IA ao lado do volume — apresentar as duas métricas juntas evita que o cliente leia “pouco tráfego” como “pouca importância”.


