Dados de um relatório confidencial da OpenAI mostram que, quanto mais um conteúdo aparece no ChatGPT, menor é a taxa de cliques. A mudança deixa claro que os profissionais de SEO e conteúdo precisam repensar as métricas e estratégias para o ambiente de IA generativa.
- Exposição em massa no ChatGPT gera CTR inferior a 1% na maioria dos casos.
- Quanto maior a visibilidade na resposta principal, menor a intenção de clique do usuário.
- Métricas como “share of model” e influência em respostas ganham prioridade sobre tráfego.
- Presença e autoridade de entidade passam a ser mais relevantes que volume de visitas.
- Falta de métricas transparentes limita a otimização para IA e exige novas ferramentas.
Vicente Terrasi, CTO da Draft&Goal, teve acesso a um relatório da OpenAI limitado apenas a parceiros selecionados. Os dados mostram um paradoxo central para quem trabalha com SEO: quanto mais um conteúdo é exibido no ChatGPT, menor tende a ser a taxa de cliques gerados.
As URLs de grandes publishers chegam a registrar centenas de milhares de impressões em conversas, mas com taxas de clique que raramente ultrapassam 1%. Em muitos casos, o CTR é de 0,1% ou até zero, especialmente para temas de nicho. O fenômeno não é pontual. Ele se repete em toda a base analisada e reflete o avanço do chamado “zero-click”, agora potencializado pela IA generativa.
O ChatGPT entrega respostas completas e satisfaz a intenção do usuário já na interface, eliminando a necessidade de acessar o site de origem. O clique se torna exceção, motivado por curiosidade ou checagem, e não mais pela busca de informação adicional. Áreas como barra lateral e citações no rodapé, embora menos visíveis, apresentam CTRs mais altos (6% a 11%), pois atraem usuários em modo de descoberta ou validação.
Isso impacta diretamente a escolha das métricas de sucesso. O conceito tradicional de visibilidade, baseado em impressões e tráfego, perde relevância na IA. O ChatGPT atua como um mediador da decisão, transferindo confiança e autoridade para as marcas citadas, mesmo sem gerar visitas. O objetivo passa a ser citado como fonte confiável, influenciando decisões diretamente na resposta da IA.
A lógica de ranqueamento também muda. Em vez de priorizar palavras-chave e backlinks, o ChatGPT valoriza autoridade de domínio, clareza, consistência factual e presença em bases como Wikidata e Wikipedia. O modelo decide citar ou não com base em confiança, relevância e alinhamento com o conhecimento interno. Isso torna a força da entidade e a reputação da marca algo ainda mais estratégico.
Com a queda do CTR, surgem novas métricas. “Share of model” (presença da marca nas respostas de IA) e influência contextual (quanto o conteúdo impacta a resposta, mesmo sem citação direta). O desafio para marcas é monitorar menções, citações e reconhecimento de entidade em múltiplas plataformas de IA, além de identificar queries onde o clique ainda ocorre. Buscas transacionais, comparativos ou notícias recentes, por exemplo, mantêm CTR entre 2% e 4%.
A ausência de um “AI Search Console” impede que as marcas acompanhem impressões, citações e influência real em plataformas de IA. Isso dificulta a otimização de conteúdo e amplia a assimetria de informação entre plataformas e criadores. A tendência é que ferramentas específicas para mensuração de visibilidade em IA se tornem essenciais para o setor.
Para se adaptar, as marcas devem priorizar autoridade de entidade, clareza, consistência e estruturação de dados. É fundamental garantir presença em bases de conhecimento, manter padrões editoriais elevados e focar em áreas onde a IA ainda não substitui totalmente o clique. O sucesso nesse contexto passa a ser medido pela influência nas respostas de IA e não mais pelo volume de visitas.
Para se aprofundar mais no assunto, acesse o artigo “Inside ChatGPT’s Confidential Report: Visibility Metrics, Part 1“, publicado no Search Engine Journal.
