Na mesma semana, três estudos independentes chegaram a uma conclusão parecida: o tráfego e as conversões vindos de buscadores de IA ainda são uma fração pequena perto do que o Google orgânico entrega. Os números merecem contexto — porque não significam que GEO não importa, mas sim que ele ainda não substitui o SEO como motor principal de tráfego.
O que cada estudo encontrou
Marie Haynes, “GEO is a distraction” — analisou 12 meses de dados de GA4 em 100 sites de tamanhos variados, somando mais de 145 milhões de sessões. Nessa amostra, as sessões vindas do ChatGPT representaram apenas 0,62% do volume gerado pelo Google orgânico. Por outro lado, os visitantes vindos do ChatGPT converteram a uma taxa mais de 4,5 vezes maior que os visitantes do Google orgânico (13,8% contra 3,02%) — ainda assim, o Google respondeu por 96,5% de todas as conversões entre os canais analisados, e por 27 vezes mais conversões do que todos os outros LLMs somados.
SEO Works, “AI referral traffic benchmark” — encontrou que a busca orgânica entrega 39 vezes mais tráfego do que assistentes de IA e que, para cada 100 conversões geradas pela busca orgânica, o tráfego de referência de IA gera 3,2. O tráfego de IA converte pior do que a mídia paga (0,67x) mas melhor do que o tráfego direto (2,48x).
Kevin Indig, “Does AI drive more direct traffic?” — testou, em 12 sites de setores e tamanhos diferentes, a hipótese de que a IA estaria empurrando tráfego “escondido” para a categoria Direct. Resultado: não encontrou volume detectável de tráfego Direct atribuível à IA em páginas de cauda longa, nem uma relação confiável entre “visibilidade em IA” e crescimento de busca de marca ou tráfego direto — mesmo em empresas com crescimento de IA acima da média.
Por que isso não é motivo para abandonar GEO
Os três estudos concordam num ponto: hoje, em volume absoluto, a busca de IA ainda é pequena perto do Google orgânico. Isso é consistente com o que já vínhamos observando em dados de conta própria — inclusive no episódio recente do bug que fez o ChatGPT parar de marcar parâmetros UTM, onde o volume de tráfego “escondido” também se mostrou pequeno demais para explicar sozinho qualquer oscilação grande em métricas de aquisição.
A leitura correta não é “IA não importa”, e sim que GEO precisa ser tratado como o que sempre foi na nossa metodologia: uma camada complementar ao SEO, não um substituto. O Google orgânico continua sendo, de longe, o maior motor de tráfego e de conversão para a maioria das marcas — e é ali que o investimento principal deve continuar concentrado. Ao mesmo tempo, a taxa de conversão mais alta do tráfego de IA (apontada tanto por Marie Haynes quanto pela SEO Works) sugere que quem já é citado está captando um público mais qualificado, mesmo que pequeno em volume — o que justifica atenção a GEO, mas não prioridade absoluta sobre SEO.
Visão Estratégica da Web Estratégica
- Usar esses três estudos para calibrar a conversa com o cliente sobre expectativa de volume: GEO deve ser apresentado como alavanca de qualificação e autoridade, não como substituto de volume de tráfego do SEO.
- Manter a atribuição de origem como ponto de atenção permanente nos relatórios mensais — tanto este episódio quanto o do bug de UTM do ChatGPT reforçam que “tráfego de IA” é sistematicamente subestimado, mas sem magnitude suficiente para explicar sozinho grandes variações.
- Priorizar investimento de SEO como base e tratar GEO como camada incremental, reforçando com dados o posicionamento que a Web Estratégica já adota: busca tradicional e busca generativa não competem por orçamento, competem por atenção dentro da mesma estratégia.


