O Google está expandindo seus testes com manchetes reescritas por IA, e agora o alvo é a busca tradicional. Após transformar um “pequeno experimento” de reescrita de títulos no Discover em uma funcionalidade permanente em cerca de um mês, a empresa está usando uma linguagem similar para descrever testes que alteram os títulos das páginas diretamente nos resultados de busca do dia a dia, gerando preocupação entre publishers e criadores de conteúdo.
- O que está acontecendo: O Google confirmou que está testando a reescrita de títulos de páginas usando IA nos resultados da busca tradicional, não apenas no Discover.
- A “linguagem do perigo”: A empresa descreve o teste como “pequeno e restrito”, a mesma linguagem usada pouco antes de tornar a reescrita de títulos por IA uma funcionalidade padrão no Discover.
- Qual é a diferença? Até agora, o Google já reescrevia títulos, mas usava elementos existentes na página (como H1s ou o próprio conteúdo). O novo teste é diferente: a IA está gerando títulos com frases que não existem no artigo original.
- Falta de transparência: O Google não informa quando um título foi alterado, o que significa que os donos dos sites podem nem saber que suas manchetes estão sendo modificadas, a menos que verifiquem manualmente.
- O impacto para publishers: Com o Discover já respondendo por quase 70% do tráfego do Google para muitos portais de notícias, a perda de controle sobre os títulos também na busca tradicional representa uma ameaça significativa ao engajamento e à identidade da marca.
A prática do Google de reescrever os títulos das páginas nos resultados de busca não é nova, mas a abordagem mudou fundamentalmente. Antes, o sistema se baseava em elementos já presentes na página para criar um título que, na visão do Google, melhor correspondesse à busca do usuário. Agora, o teste envolve o uso de IA generativa para criar títulos completamente novos, com frases e construções que não estão no texto original. Em um dos exemplos, o título “Copilot Changes: Marketing Teams at it Again” foi gerado para um artigo que nunca usou essa expressão.
O padrão de implementação é o que mais preocupa. No ano passado, um teste similar no Google Discover foi rapidamente transformado em uma funcionalidade permanente, sob a justificativa de que “performava bem para a satisfação do usuário”. Se o mesmo acontecer na busca tradicional, os criadores de conteúdo perderão o controle sobre um dos elementos mais críticos para atrair cliques e comunicar o valor de suas páginas.
Segundo o Google, o objetivo do teste é “combinar melhor os títulos com as buscas dos usuários e facilitar o engajamento”. No entanto, a falta de qualquer aviso de que o título foi modificado pela IA levanta sérias questões sobre transparência e autoria. Para os publishers, que já viram o Discover se tornar sua principal fonte de tráfego, a perspectiva de perder o controle das manchetes em suas duas maiores vitrines do Google é um sinal de alerta máximo.
Para se aprofundar mais no assunto, acesse o artigo “Google Tested AI Headlines In Discover. Now It’s Testing Them In Search“, publicado no Search Engine Journal.
